Sabonetes

tenho o costume de sempre falar “aprendi que” e é verdade. há dois meses muita coisa mudou e eu aprendi a contar os sabonetes.

desde pequeno, quando você toma banho o sabonete vai diminuindo, diminuindo ate sumir e você acha que ele não vai durar até o proximo banho,mas vem a surpresa de um sabonete novo, pronto, cheiroso, pronto pra começar a diminuir e diminuir ate outro tomar seu lugar, sem você saber como. ou saber sim. alguem sempre trocou. ate alguns meses atras, quando isso nao aconteceu e eu tive que começar minha propria contagem, a partir do 1.

fazem 5 dias que fiquei mais velho, de um jeito totalmente diferente de outros anos e como eu desejo que seja sempre, diferente. ganhei 4 sabonetes. nao sei se isso quer dizer que as pessoas gostam de me ver limpo ou estão apenas incentivando minha conta, mas torço para que seja a segunda opção.

eu aprendi nesse ultimo ano, e mais ainda, nesses ultimos dois meses, que tudo pode ser melhor. a ruina leva a mudança. mas eu nao estava na ruina, longe disso. mas certas coisas ruíram. amei tanto alguem que é dificil ate de descrever, e foi preciso viver tudo de novo pra saber como é melhor deixar tudo como está agora e ver que só assim, só como foi feito, poderia chegar aonde eu estou. e por isso eu agradeço, e vou sempre cuidar de longe com carinho, como prometi.

aprendi também que a delicia de nao fazer nada, é renovadora. mas um ‘fazer nada’ absoluto. sem tv, sem compromisso, sem preocupação, sem aflição. apenas objetivos. “dolce far niente”.

quero aprender a fazer pratos de outro país em outro país, quero viver de mochila e câmera, quero aprender a me virar em outro idioma. quero dizer “eu aprendi” muitas vezes mais.